A casa de Olivo Gomes: a mansão modernista do Parque da Cidade
Por Redação Fica Dica · Publicado em Portal Fica Dica, guia de São José dos Campos e região desde 2020.
A Residência Olivo Gomes fica dentro do Parque da Cidade Roberto Burle Marx, na Avenida Olivo Gomes, 100, em Santana, São José dos Campos. Foi projetada em 1949 pelos arquitetos Rino Levi e Roberto Cerqueira César para o industrial Olivo Gomes, dono da Tecelagem Parahyba, e concluída em 1951. O paisagismo e os murais de azulejaria são de Roberto Burle Marx. A casa tem praticamente um só pavimento, oito dormitórios, escada helicoidal de concreto e piscina, e é considerada um dos exemplares mais importantes da arquitetura moderna brasileira. Hoje é patrimônio tombado, dentro de um parque público de entrada gratuita.
Quem caminha na pista do Parque da Cidade passa por ela quase todo dia e não sabe o que é. Uma casa baixa, comprida, de linhas retas, com um balanço na fachada e um jardim que parece grande demais para uma casa. É a Residência Olivo Gomes — e ela é uma das obras mais importantes da arquitetura moderna brasileira, dentro de um parque público de São José dos Campos onde a entrada é gratuita.
Quem foi Olivo Gomes
Olivo Gomes era o dono da Tecelagem Parahyba, uma das indústrias que moldaram São José dos Campos no século 20. A cidade que hoje se conhece como capital aeroespacial do país foi, antes disso, cidade de sanatórios e depois cidade de fábricas — e a têxtil foi uma das maiores.
O terreno onde hoje está o parque era parte da Fazenda da Tecelagem Parahyba, segundo a Prefeitura. Era ali que o industrial morava: não numa casa na cidade, mas dentro da propriedade da própria empresa.
Por que a casa entrou para a história da arquitetura
Em 1949, Olivo Gomes encomendou o projeto a Rino Levi e Roberto Cerqueira César, dois dos arquitetos mais respeitados do modernismo paulista. A obra ficou pronta em 1951.
O que saiu dali não era uma mansão no sentido comum. A casa se desenvolve praticamente em um só pavimento, com térreo na entrada e um balanço na fachada principal. Tem oito dormitórios, escritório, salão de jogos, piscina e garagem para seis carros. O detalhe que aparece em todo livro de arquitetura é a escada helicoidal, com os degraus sustentados por uma viga curva de concreto, e as esquadrias em venezianas do tipo guilhotina.
A diferença real, porém, está no que acontece entre a casa e o lado de fora. O paisagismo é de Roberto Burle Marx — o mesmo que assinaria os jardins do Aterro do Flamengo e o calçadão de Copacabana —, e ele não foi chamado só para plantar. Burle Marx trabalhou com Rino Levi nos amplos murais de azulejaria da casa. Jardim e edifício foram desenhados como uma coisa só: o jardim entra pelo vidro, a casa se abre para ele, e o limite entre os dois praticamente some.
É por isso que a obra é citada como um ponto alto da parceria entre os dois. Não é uma casa com um jardim bonito ao lado. É uma casa que só faz sentido com aquele jardim.
Como a casa virou parque público
A família cedeu a residência ao poder público municipal na década de 1980. Em 1996, segundo a Prefeitura, a área se tornou parque municipal — o Parque da Cidade Roberto Burle Marx, com cerca de um milhão de metros quadrados.
O nome do parque, aliás, é a pista mais clara de tudo isso: ele não homenageia um político nem um santo, mas o paisagista que desenhou aqueles jardins para uma casa particular, setenta e poucos anos atrás.
Hoje a residência e os jardins são tombados pelo Comphac, o conselho municipal de preservação do patrimônio, e também protegidos pelo Condephaat, o conselho estadual. A resolução estadual é a SC-97, de 23 de outubro de 2013.
O que sobrou disso na cidade
Sobrou quase tudo, e é isso que torna o caso incomum. O parque abre todos os dias, das 6h às 18h, na Avenida Olivo Gomes, 100, em Santana, na zona norte, com entrada gratuita. Além da casa, estão lá os jardins de Burle Marx, as palmeiras imperiais, os lagos, as ilhas artificiais e os bosques — e a antiga tecelagem, vista por fora.
A maneira mais fácil de entender o conjunto é ir com quem explica: a Prefeitura faz o City Tour gratuito pelo Parque da Cidade, um roteiro guiado que passa pela Residência Olivo Gomes, pelo Galpão Gaivotas, pela Casa do Café e pelo orquidário. A visita ao interior da casa depende da programação; confirme antes pelo telefone (12) 3921-9382.
O parque também é palco de programação cultural o ano inteiro, na sede da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que funciona no mesmo endereço — é lá que acontece, por exemplo, o Encontro de Pavilhões das escolas de samba da cidade.
Tem foto antiga da Tecelagem Parahyba ou da casa ainda habitada? Escreva para a gente. Histórias como esta a gente atualiza quando aparece documento novo — e o que a cidade esqueceu costuma estar na gaveta de alguém.
Perguntas frequentes
Quem projetou a Residência Olivo Gomes?
Os arquitetos Rino Levi e Roberto Cerqueira César, que desenharam a casa em 1949. A obra ficou pronta em 1951. O projeto paisagístico e os murais de azulejaria são de Roberto Burle Marx, que trabalhou junto com Rino Levi nos painéis.
Dá para visitar a casa de Olivo Gomes hoje?
A casa fica dentro do Parque da Cidade Roberto Burle Marx, na Avenida Olivo Gomes, 100, em Santana, que abre todos os dias das 6h às 18h com entrada gratuita. A visita ao interior da residência depende da programação da Prefeitura e do roteiro guiado do City Tour — confirme antes pelo telefone (12) 3921-9382.
O que era o terreno do Parque da Cidade antes?
Era parte da antiga Fazenda da Tecelagem Parahyba, a indústria têxtil de Olivo Gomes. A área virou parque municipal em 1996, segundo a Prefeitura de São José dos Campos, e hoje tem cerca de um milhão de metros quadrados.
A Residência Olivo Gomes é tombada?
Sim. Segundo a Prefeitura, a residência e os jardins são tombados pelo Comphac, o conselho municipal de preservação, e também protegidos pelo Condephaat, o conselho estadual. A resolução estadual citada é a SC-97, de 23 de outubro de 2013.
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Fontes consultadas
- Prefeitura de São José dos Campos — Parque da Cidade Roberto Burle Marx (endereço, horário, histórico e tombamento)
- ArchDaily Brasil — Clássicos da Arquitetura: Residência Olivo Gomes / Rino Levi e Roberto Cerqueira César
- Wikipédia — Residência de Olívio Gomes (tombamento pelo Condephaat, Resolução SC-97 de 23/10/2013)
- Foto: Halley Pacheco de Oliveira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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