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Quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Como São José dos Campos virou a capital aeroespacial

Por · Publicado em Portal Fica Dica, guia de São José dos Campos e região desde 2020.

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São José dos Campos virou a capital aeroespacial do Brasil porque foi escolhida, na década de 1940, para abrigar o Centro Técnico de Aeronáutica, idealizado por Casimiro Montenegro Filho com apoio do professor Richard Smith, do MIT, num terreno entre o Rio e São Paulo. O ITA e o IPD abriram em 1950, o INPE veio em 1961, o Bandeirante voou pela primeira vez em 22 de outubro de 1968 e a Embraer foi fundada em 19 de agosto de 1969 para produzi-lo em série, com fábrica às margens da Dutra operando desde janeiro de 1970. Hoje a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e mantém a sede na cidade.

Avião da Embraer em São José dos Campos
Foto: Photograph by Mike Peel (www.mikepeel.net) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Todo joseense já ouviu que a cidade é a capital aeroespacial do Brasil. Menos gente sabe que isso começou com uma viagem aos Estados Unidos em 1943, um professor do MIT e um terreno escolhido por estar no meio do caminho entre o Rio e São Paulo. Esta é a linha do tempo, com as datas conferidas.

Um plano feito no MIT

Em 1943, o então major aviador Casimiro Montenegro Filho visitou centros de pesquisa aeroespacial americanos. Dois anos depois, em 1945, conheceu o professor Richard Smith, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, que topou ajudar a montar um centro de ensino e pesquisa no Brasil. A ideia era diferente do que existia: em vez de só comprar avião de fora, formar engenheiros e desenvolver projetos próprios no mesmo lugar. Em 29 de janeiro de 1946, durante o governo interino de José Linhares, foi criada a Comissão de Organização do Centro Técnico de Aeronáutica, a COCTA, para tirar o plano do papel.

Por que São José dos Campos

O terreno precisava ficar entre o Rio de Janeiro, capital do país e sede do Ministério da Aeronáutica, e São Paulo, o centro industrial. São José dos Campos, na época uma estância climática de sanatórios, estava no ponto certo do Vale do Paraíba e tinha espaço. A escolha mudou o destino da cidade: a história do nome de São José dos Campos até ali era de aldeia, vila de algodão e cidade de tuberculosos.

ITA e IPD abrem em 1950

As duas primeiras unidades ficaram prontas em 1950: o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA, primeira escola de engenharia aeronáutica do país, e o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, o IPD. A primeira turma do ITA se formou naquele mesmo ano. O Centro Técnico de Aeronáutica passou a funcionar oficialmente em 10 de novembro de 1954, e em 1951 a Rodovia Presidente Dutra ligou a cidade de vez aos dois grandes centros. Em 1961 chegou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, que colocou a cidade também na corrida espacial.

O Bandeirante e a Embraer

O IPD projetou os primeiros aviões que a cidade produziria: o Bandeirante, o Ipanema e o Urupema. O protótipo do Bandeirante, um bimotor de 19 lugares, fez o voo inaugural em 22 de outubro de 1968. Para fabricá-lo em série, foi fundada em 19 de agosto de 1969 a Empresa Brasileira de Aeronáutica, a Embraer, sociedade de economia mista ligada ao Ministério da Aeronáutica, com engenheiros militares do CTA entre os fundadores e Ozires Silva como primeiro presidente, cargo que ele ocupou até 1986. A fábrica, às margens da Dutra, começou a operar em janeiro de 1970. Nas décadas de 1970 e 1980 vieram o Xingu, o Brasília e o Tucano, que levaram o nome da cidade para forças aéreas e companhias do mundo inteiro.

Privatização e E-Jets

Em 1991 Ozires Silva voltou à empresa para conduzir a privatização, e em 1994, no governo Itamar Franco, a Embraer foi leiloada por cerca de 154 milhões de reais. O que veio depois foi o programa ERJ-145, o jato regional que recuperou a empresa e chegou a mil aviões vendidos em 2006, e a família E-Jets, que consolidou a liderança no segmento de até 150 assentos. Hoje a Embraer é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, tinha 15.427 funcionários em 2021 e mantém a sede em São José dos Campos. O CTA, por sua vez, virou Centro Técnico Aeroespacial em 1971 e, em 2009, Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, o DCTA, que abriga o ITA e os institutos IAE, IEAv e ICEA.

O que isso mudou na cidade

A partir da década de 1950 a urbanização do Vale do Paraíba se concentrou em São José dos Campos, e dezenas de indústrias se instalaram para fornecer componentes à indústria aeronáutica. A cidade dos sanatórios virou a cidade dos engenheiros, com salário, universidade e um perfil de morador que ainda define bairros inteiros, do Jardim Aquarius ao Urbanova. O campus do DCTA continua no mesmo lugar, o Bandeirante continua voando, e o ITA segue sendo a escola de engenharia mais disputada do país.

Esta história é revisada quando aparece fonte nova. Erro de data ou nome? Escreva para a redação.

Perguntas frequentes

Por que o CTA foi construído em São José dos Campos?

Pela posição estratégica entre o Rio de Janeiro, então capital, e São Paulo, o centro industrial. A comissão que organizou o centro foi criada em 29 de janeiro de 1946 e o ITA e o IPD, as duas primeiras unidades, ficaram prontos em 1950.

Quando a Embraer foi fundada e por quê?

Em 19 de agosto de 1969, como sociedade de economia mista ligada ao Ministério da Aeronáutica, para fabricar em série o Bandeirante, projetado no IPD do CTA, que tinha voado pela primeira vez em 22 de outubro de 1968. Ozires Silva foi o primeiro presidente, até 1986.

A Embraer ainda é estatal?

Não. Foi privatizada em leilão em 1994, no governo Itamar Franco, por cerca de 154 milhões de reais. O programa ERJ-145 recuperou a empresa depois disso e chegou a mil aviões vendidos em 2006; hoje ela é a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo.

O que é o DCTA?

É o nome atual do antigo CTA: Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, desde 2009. O centro foi Centro Técnico de Aeronáutica de 1954 a 1971 e Centro Técnico Aeroespacial de 1971 em diante. Abriga o ITA e institutos como o IAE, o IEAv e o ICEA.

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