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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Canetinhas emagrecedoras: os riscos de usar sem acompanhamento médico

Por · Publicado em ·Revisado em Conteúdo patrocinado por Dr. Lucas Ribeiro Portal Fica Dica, guia de São José dos Campos e região desde 2020.

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As canetinhas emagrecedoras são medicamentos injetáveis que a Anvisa agrupa como agonistas do receptor GLP-1, entre eles semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. São remédios de prescrição, com indicações definidas em bula. O problema é o uso sem indicação clínica, sem receita e sem acompanhamento: a agência emitiu em 2026 um alerta para complicações do uso indevido, como a pancreatite aguda, alerta para produtos irregulares e exige retenção da receita na farmácia. E a balança não mostra tudo: parte do peso perdido é massa magra, e o peso pode voltar depois de parar.

Pés descalços sobre uma balança digital que marca 72,4 kg
Foto: Fica Dica

Informações clínicas conferidas por Lucas Ribeiro — MÉDICO — CRM-SP 245822, patrocinador deste conteúdo. O texto é da redação do Portal Fica Dica.

As canetinhas emagrecedoras viraram assunto de mesa de bar, de grupo de família e de consultório. São medicamentos injetáveis de prescrição que a Anvisa agrupa como agonistas do receptor GLP-1 — semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida estão entre as substâncias citadas pela agência. O risco aparece quando o remédio é usado sem indicação clínica, sem receita, sem acompanhamento ou comprado de origem duvidosa. Este texto reúne o que a Anvisa e os principais estudos dizem sobre isso, sem receita de dose e sem recomendar marca: essa conversa é com o médico.

O que a Anvisa diz sobre as canetinhas emagrecedoras?

Em 9 de fevereiro de 2026, com atualização em 1º de agosto, a Anvisa publicou um alerta para o risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido desses medicamentos. A agência é clara nos dois sentidos: dentro das indicações e dos modos de uso aprovados em bula, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos; fora disso — no uso indiscriminado para emagrecer, sem necessidade clínica —, o risco aumenta.

O alerta cita, no Brasil, 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e 6 óbitos entre 2020 e dezembro de 2025, e 1.296 notificações, com 19 óbitos, no Reino Unido entre 2007 e outubro de 2025. Vale ler esses números com cuidado: notificação é suspeita registrada, não prova de que o remédio causou o problema, e não serve para calcular com que frequência ele acontece. O que ela mostra é que o sinal existe e merece atenção.

Quais são os riscos de usar sem acompanhamento?

O primeiro é usar sem saber se o remédio é indicado. Sem avaliação, ninguém confere histórico, contraindicações, outros medicamentos em uso ou se o objetivo da pessoa tem indicação clínica. O segundo é não ter quem acompanhe a tolerância e reconheça cedo um efeito adverso.

O terceiro é a procedência. Em abril de 2026, a Anvisa anunciou medidas contra irregularidades na importação e na manipulação dessas canetas e apontou problemas como falhas de esterilização, deficiências no controle de qualidade e uso de insumos sem identificação de origem e composição. Só no segundo semestre de 2025, segundo a agência, entraram no país mais de 100 kg de insumos, o suficiente para cerca de 20 milhões de doses. A regra de base não mudou: medicamento vendido no Brasil precisa de registro na Anvisa, que é o que atesta eficácia, segurança e qualidade.

A manipulação em farmácia não é proibida, mas a Anvisa a trata como exceção. Pela Nota Técnica 200/2025, ela só pode ocorrer quando não houver produto equivalente no mercado, com insumo rastreável, de substância já presente em medicamento registrado, e com testes de qualidade em cada lote. Manipulado não tem registro próprio: quem responde pela qualidade é a farmácia. Na mesma nota, a agência afirma que a manipulação rotineira dessas substâncias não se mostra viável do ponto de vista sanitário, e as regras estão em revisão desde abril de 2026.

A compra também tem controle: em abril de 2025, a Anvisa determinou que esses medicamentos só podem ser vendidos com retenção da receita na farmácia.

Perder peso é o mesmo que perder gordura?

Não, e é aqui que a balança engana. O peso que sai do corpo vem de gordura e também de massa magra — e massa magra não é sinônimo de músculo: o músculo é só parte dela.

Um subestudo do STEP 1, publicado em 2021 no Journal of the Endocrine Society, mediu a composição corporal de 140 participantes, 95 deles tratados com semaglutida por 68 semanas. No grupo da semaglutida, a gordura total caiu 19,3% e a massa magra caiu 9,7% em relação ao início. Como a gordura caiu mais, a proporção de massa magra no corpo subiu 3 pontos percentuais. O estudo tem limites: é um subgrupo pequeno, de uma única substância, e, como os próprios autores registram, a análise não compensou dados que faltaram. O estudo não diz que todo usuário perde músculo; diz que o número da balança, sozinho, não mostra a qualidade do emagrecimento.

É por isso que alimentação suficiente, atividade física adequada e, quando o médico indicar, avaliação de composição corporal entram no acompanhamento. Em São José dos Campos, a Prefeitura oferece avaliação física gratuita com medida de composição corporal — o passo a passo está no guia do check-up de saúde gratuito no CMAF.

O que acontece quando o tratamento é interrompido?

O peso pode voltar. A extensão do STEP 1, publicada em 2022 na Diabetes, Obesity and Metabolism, acompanhou 327 participantes por um ano depois do fim do tratamento. Quem tinha usado semaglutida recuperou, em média, cerca de dois terços do peso perdido, e a maioria dos marcadores cardiometabólicos que tinham melhorado voltou em direção ao ponto de partida — alguns continuaram melhores que no início. Duas ressalvas: a intervenção de estilo de vida do estudo também terminou junto com o remédio, e o resultado é uma média de grupo — não prevê o que acontece com cada pessoa.

A conclusão prática não é continuar para sempre nem parar de uma vez: é que começar, ajustar ou interromper o tratamento são decisões para tomar com o médico, nunca por conta própria.

Quais sinais pedem atendimento médico imediato?

A Anvisa orienta procurar atendimento médico na hora em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — o quadro sugestivo de pancreatite aguda. Qualquer outro sintoma que preocupe durante o uso deve ser levado a quem prescreveu. Eventos adversos podem ser notificados à Anvisa pelo VigiMed, o sistema de farmacovigilância da agência.

O que perguntar ao médico antes e durante o tratamento?

Algumas perguntas ajudam a conversa na consulta: o remédio é indicado para o meu caso? Há contraindicação com meu histórico ou com os remédios que já uso? Como vamos acompanhar alimentação, atividade física e composição corporal? Quais sintomas devo relatar e quais pedem atendimento imediato? Qual é o plano para manter o resultado ou interromper o tratamento? Acompanhamento não garante resultado nem elimina riscos, mas é o espaço para essas respostas serem individuais.

Conteúdo patrocinado pelo Dr. Lucas Ribeiro, que conferiu as informações clínicas. Este texto é informativo e não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Dá para comprar canetinha emagrecedora sem receita?

Não. São medicamentos sujeitos a prescrição, e a Anvisa determinou em abril de 2025 que esses medicamentos — entre eles semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida — só podem ser vendidos com retenção da receita na farmácia.

Canetinha emagrecedora faz perder músculo?

Parte do peso perdido é massa magra, que não é sinônimo de músculo. Num subestudo do STEP 1, com semaglutida, a massa magra caiu 9,7% em 68 semanas, enquanto a gordura caiu 19,3%. Não quer dizer que todo usuário perde músculo, mas mostra que a balança sozinha não conta a história.

O peso volta quando a pessoa para de usar?

Pode voltar. Na extensão do estudo STEP 1, um ano depois de parar a semaglutida, os participantes tinham recuperado em média dois terços do peso perdido. É média de grupo, não previsão individual, e a decisão de parar deve ser tomada com o médico.

Que sintoma exige atendimento imediato?

Segundo a Anvisa, dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir com náuseas e vômitos. É o quadro sugestivo de pancreatite aguda e pede atendimento médico na hora.

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