Quem foi Cassiano Ricardo, o poeta de São José dos Campos
Por Redação Fica Dica · Publicado em Portal Fica Dica, guia de São José dos Campos e região desde 2020.
Cassiano Ricardo Leite nasceu em São José dos Campos em 26 de julho de 1895 e morreu no Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1974. Publicou o primeiro livro de poemas, Dentro da noite, aos 16 anos, foi um dos líderes do movimento que levou à Semana de Arte Moderna de 1922 e escreveu Martim Cererê (1928), sua obra mais conhecida. Entrou para a Academia Brasileira de Letras em 1937, na cadeira 31, e é o único joseense a ocupar uma cadeira na Academia. O nome dele está hoje na Fundação Cultural, na biblioteca municipal e na Semana Cassiano Ricardo, celebrada todo mês de outubro na cidade.
O nome está na Fundação Cultural, está na biblioteca municipal e volta todo mês de outubro na semana literária da cidade. Mesmo assim, pergunte na rua quem foi Cassiano Ricardo e a resposta mais comum é um encolher de ombros. Ele é o único joseense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, e a história dele explica um pedaço do que São José dos Campos é hoje.
Quem foi Cassiano Ricardo
Cassiano Ricardo Leite nasceu em São José dos Campos em 26 de julho de 1895, filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Fez os primeiros estudos na própria cidade e, aos 16 anos, já publicava o primeiro livro de poemas, Dentro da noite. Começou o curso de Direito em São Paulo e o concluiu no Rio de Janeiro, em 1917 — mesmo ano em que lançou A flauta de Pan, que lhe rendeu elogios de Olavo Bilac, então o poeta mais celebrado do país.
Era o caminho comum da elite letrada da época: o interior dava a infância, a capital dava a carreira. A diferença é que Cassiano Ricardo carregou a cidade natal para dentro da obra, como no poema “A flauta que me roubaram”, e nunca a descartou como assunto.
O que ele tem a ver com a Semana de 22
De volta a São Paulo, entrou de cabeça no movimento que desaguaria na Semana de Arte Moderna de 1922. A Academia Brasileira de Letras o descreve como um dos líderes desse movimento, atuando nos grupos Verde-Amarelo e Anta ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp e Cândido Mota Filho.
Era a ala nacionalista do modernismo brasileiro — a que buscava um Brasil “próprio” em oposição às influências europeias, e que produziu tanto poesia boa quanto política complicada. É dessa fase que vêm Vamos caçar papagaios (1926), Borrões de verde e amarelo (1927) e Martim Cererê (1928), o livro que o tornou conhecido no país inteiro.
A trajetória política não seguiu reta. Em 1937, com Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho, Cassiano Ricardo fundou a Bandeira, movimento político que, segundo a Academia, se contrapunha ao Integralismo — a corrente de extrema direita que o antigo companheiro de Anta, Plínio Salgado, havia criado.
A virada da obra, dos versos coloridos ao lirismo
A crítica costuma marcar 1943 como o ponto de inflexão. Com O sangue das horas, Cassiano Ricardo abandona o imagismo colorido da fase verde-amarela e vira para um lirismo introspectivo e filosófico, que se acentua em Um dia depois do outro (1947) — considerado o divisor de águas da carreira. Ele continuou publicando por décadas, até livros como Jeremias sem-chorar, de 1964.
Como ele entrou para a Academia Brasileira de Letras
Cassiano Ricardo foi eleito para a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras em 9 de setembro de 1937 e tomou posse em 28 de dezembro do mesmo ano, sucedendo Paulo Setúbal. Ainda em 1937, como relator da Comissão de Poesia, garantiu o prêmio da Academia para Viagem, de Cecília Meireles — a primeira obra modernista premiada pela casa, o que diz bastante sobre o papel dele ali dentro.
Depois disso presidiu o Clube da Poesia de São Paulo (1950), chefiou o Escritório Comercial do Brasil em Paris (1953-1954) e integrou o Conselho Federal de Cultura. Morreu no Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1974, aos 78 anos.
O que sobrou disso na cidade de hoje
Sobrou mais do que uma placa. A Fundação Cultural Cassiano Ricardo, que cuida da política cultural do município e fica dentro do Parque da Cidade, em Santana, leva o nome dele. A Biblioteca Pública Municipal Cassiano Ricardo funciona no prédio do antigo Cine Teatro São José, tombado — é o edifício da foto desta página.
Todo mês de outubro a Fundação realiza a Semana Cassiano Ricardo, com saraus, palestras, música, dança, teatro e a entrega do Troféu Cassiano Ricardo; o Portal Cassiano Ricardo, mantido pela Fundação, reúne on-line a biografia, as obras, fotografias, cartas e manuscritos do poeta, e informa que a semana é celebrada em outubro por lei municipal desde 1967. Em junho de 2024, o Pró-Memória da Câmara Municipal marcou os 50 anos da morte dele.
Quem quiser puxar mais o fio da história da cidade tem o nosso texto sobre por que São José dos Campos tem esse nome e a história do Parque Vicentina Aranha, que atravessa a mesma época.
Esta história é revisada quando aparece fonte nova. Se você tem documento, foto antiga ou uma correção — inclusive sobre a casa onde ele nasceu, que ainda estamos rastreando —, escreva para a redação.
Perguntas frequentes
Quando e onde Cassiano Ricardo nasceu?
Cassiano Ricardo Leite nasceu em São José dos Campos, no dia 26 de julho de 1895, filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Fez os primeiros estudos na própria cidade e morreu no Rio de Janeiro em 14 de janeiro de 1974.
Cassiano Ricardo participou da Semana de Arte Moderna de 1922?
Segundo a Academia Brasileira de Letras, ele foi um dos líderes do movimento que levou à Semana de Arte Moderna de 1922 e atuou nos grupos Verde-Amarelo e Anta, ao lado de Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Raul Bopp e Cândido Mota Filho.
Por que a Fundação Cultural de São José dos Campos leva o nome dele?
Porque Cassiano Ricardo é o único joseense a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e o nome mais conhecido da literatura nascido na cidade. A Fundação Cultural, a biblioteca municipal e a Semana Cassiano Ricardo, celebrada em outubro, carregam o nome dele.
Qual é o livro mais conhecido de Cassiano Ricardo?
Martim Cererê, de 1928, é a obra mais lembrada da fase modernista. Antes dele vieram Vamos caçar papagaios (1926) e Borrões de verde e amarelo (1927); depois, a obra mudou de tom com O sangue das horas (1943) e Um dia depois do outro (1947).
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Fontes consultadas
- Academia Brasileira de Letras — Cassiano Ricardo, biografia (cadeira 31)
- Portal Cassiano Ricardo — acervo digital da Fundação Cultural Cassiano Ricardo
- FCCR — Semana Cassiano Ricardo (projeto)
- Câmara Municipal de SJC — Pró-Memória: 50º aniversário de falecimento de Cassiano Ricardo (21/06/2024)
- Foto: Themium / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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